Num ano de muitos regressos e novas edições, os grandes destaques têm sido as bandas que só agora se estrearam na edição de álbuns.
No que diz respeito às bandas consagradas, o que muitas vezes faz com que as expectativas sejam mais elevadas e por isso maior a desilusão, coube aos Vampire Weekend e a "Modern Vampires Of The City" o epíteto de melhor álbum do primeiro semestre de 2013, seguidos de muito perto pelos Queens Of The Stone Age. Destaque ainda para o fantástico "Floating Coffin" dos Thee Oh Sees e o muito refrescante "Thriiier" dos !!!. Ainda duas óptimas confirmações "Overgrow", o segundo álbum de James Blake (ler aqui) e o radiosos "We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic" dos Foxygen.
Quanto a estreias, tivemos o viciante "FIDLAR" dos Fidlar (ler aqui) e ""Light Up Gold" dos nova-iorquinos Parquet Courts (ler aqui).
Desilusões também as houve, a começar por uns baralhadíssimos Strokes e uns comerciais Yeah Yeah Yeahs.
Da junção dos génios de Lee Blackwell, vocalista dos Night Beats, com Christian Bland, guitarrista dos The Black Angels, nasceram os The UFO Club. Com um álbum editado o ano passado, a super-mini-banda caracteriza-se pelo rock psicadélico assumidamente revivalista como fica comprovado na excelente versão de "Be My Baby", original das Ronettes. Um álbum a descobrir! The UFO Club
"Up In Her Room"
Há bandas e músicos que são verdadeiros casos de amor à primeira vista, mas há outros que levam o seu tempo a chamar a atenção, quanto mais a tornar-se um caso de paixão. A minha relação com a música de James Blake é sintomática dessa indiferença que durante bastante tempo me manteve ao largo. A fantástica versão de ‘Limit To Your Love’, original de Feist, teve o condão de me fazer desviar o olhar mas, não passou disso, de um olhar de relance, insuficiente para me despertar a atenção. E sou sincero, sempre me fez alguma confusão toda a histeria em torno do rapaz.
No entanto tenho de reconhecer, “Overgrown” conquistou-me. Passados 2 anos desde o álbum homónimo que deu a conhecer ao mundo James Blake, “Overgrown” conseguiu não só conquistar-me como, à imagem do seu antecessor, conquistou a generalidade do público e da crítica. “Overgrown” é um álbum mais próximo, mais humano, mais equilibrado. As composições marcadamente minimais e repetitivas do álbum anterior evoluíram para composições mais ricas e tradicionais quanto à forma sem perderem o seu carácter. As músicas são de uma delicadeza e de uma subtileza ímpares, onde a voz frágil assume uma postura antagónica pela emoção e expressividade que transmite. A sobreposição de camadas sonoras vão dando vida às composições, qual trabalho de relojoeiro, em que cada peça, cada som, encaixa na perfeição. É a afirmação de um estilo único que faz de James Blake um dos mais interessantes e originais compositores contemporâneos. Sobretudo associado à música electrónica, é, no entanto, o piano o instrumento que assume o papel principal. É nessa capacidade de fazer conviver a modernidade das electrónicas com o classicismo do piano que James Blake teve a capacidade de inovar e abrir novos horizontes.
Em “Overgrown”, as parcerias assumem um papel de relevo. Brian Eno surge em ‘Digital Lions’ como co-autor e RZA, dos Wu Tang Clan, tem uma participação em ‘Take A Fall For Me’, um dos temas mais interessantes do álbum numa incursão pelo universo do hip-hop. O single ‘Retrogade’ foi o cartão-de-visita de um álbum que, depois da revelação, veio confirmar todo o talento de James Blake (tenho de dar a mão à palmatória!).
Há finalmente data para a edição do próximo álbum dos Arctic Monkeys, intitulado somente "AM", dia 9 de Setembro. Conta com participações de Josh Homme, Bill Ryder-Jones (The Coral) e Pete Thomas e foi produzido por James Ford dos Simian Mobile Disco. Depois de apresentado, há mais de um ano, o excelente "R U Mine?", chega-nos agora um novo single "Do I Wanna Know?". Mais uma pergunta a juntar às muitas em relação ao álbum, sem dúvida um dos mais aguardados do ano. Arctic Monkeys
"Do I Wanna Know?"
Mais uma boa notícia, os Franz Ferdinand estão de volta com um novo álbum, o quarto. "Right Thoughts, Right Words, Right Action" tem edição marcada para finais de Agosto. Entretanto já são conhecidos dois singles, "Right Action" que aqui vos deixamos, e "Love Illumination".
E, de repente, um single dos Pixies. Como que caído do céu, e numa altura em que Kim Deal tinha abandonado a formação, é dado a conhecer um novo single dos Pixies, o primeiro desde 2004.
Os Iceage são uma banda dinamarquesa de Copenhaga que não sendo propriamente uma novidade, têm já dois álbuns editados, o mais recente "You're Nothing" foi editado este ano pela Matador Records, têm passado despercebidos aos ouvidos de muita gente. Formados em 2008, editaram o também excelente "New Brigade" em 2011. Caracterizam-se por uma sonoridade punk rock sem, no entanto, corresponderem inteiramente à designação. Para além de serem muito novos e soarem bastante mais adultos, as músicas denotam uma carga negativa, por vezes depressiva, que os coloca muito próximos de uns Joy Division. A energia punk está toda lá mas as composições são ricas e elaboradas, o resultado é brilhante. Os relatos também dão conta que as actuações ao vivo são inesquecíveis. Uma banda a ter debaixo de olho! Iceage
"Ecstasy"
Assistir a um concerto dos Night Beats é uma experiência catártica! A explosão de distorção com que somos atingidos faz-nos regressar às origens do rock, com tudo o que isso tem de purificador e libertador! Pela primeira vez em Portugal, a ZdB acolheu o trio de Seattle para uma noite de muito suor.
Antes de mais, há que esclarecer que o nome Night Beats não podia ser mais enganador. De electrónico, como poderia sugerir, não têm nada, isto é rock n’ roll puro e duro! O ressurgimento do rock na última década deveu-se muito a bandas como os Black Lips, os Thee Oh Sees e, mais recentemente, os Strange Boys, que foram capazes de recuperar a atitude e os princípios básicos do rock! E os Night Beats seguem no mesmo trilho.
Com apenas um álbum editado em 2011, e enquanto aguardamos pelo novo álbum a editar ainda este ano, o concerto serviu para testar algumas músicas novas. Mas foram as músicas do álbum homónimo que deixaram o público ao rubro. “Puppet On A String” é uma grande malha e não deixou ninguém indiferente. Foi o momento alto de um concerto sempre em alta tensão, com direito a crowd surfing de Tarek Wegner, o baixista. Lee Blackwell, o vocalista, é mais contido nas suas acções. Sempre introspectivo, é como se ele e a guitarra fossem um só. A voz é frágil e serve de adorno à descarga de energia que sai dos amplificadores.
A experiência recente tem confirmado a teoria de que para um concerto ser estrondoso não precisa de grandes artíficios, grande palcos, muitos decibeis. É incrivel o poder e o impacto que apenas uma guitarra, uma bateria e um baixo podem ter! E os Night Beats estão cá para o provar.
Nota ainda para Fast Eddie Nelson que, numa noite dominada pelo rock e pelos blues, não podia ter sido melhor escolha. Mais um a provar que o rock não está morto, antes pelo contrário, está de boa saúde e recomenda-se.
Depois do concerto no Optimus Primavera Sound, onde chegaram, viram e vencera, as Savages afiguram-se, cada vez mais, como uma das revelações de 2013. Com uma sonoridade vincadamente revivalista, a invocar nomes como Siouxsie and the Banshees, a banda de Londres tem recebido criticas muito positivas ao seu álbum de estreia "Silence Yourself".
A primeira vez que fui a Paredes de Coura foi em 1998, tinha na altura 16 ou 17 anos. Olhando para trás parece tão longínquo mas ao mesmo tempo tão próximo. Desde então foram poucos os anos que falhei uma edição do festival. E, se não fui, foi sempre por motivos de força maior. As histórias são infindáveis e ficarão para sempre na memória. Quando se compara Paredes de Coura aos restantes festivais, o comentário mais comum é de que é especial, de que é difícil explicar o porquê, que só indo. E é verdade, o Festival de Paredes de Coura é especial, as razões são inúmeras e não me cabe a mim enumerá-las, tem de ser cada um a comprová-las por si mesmo. A mim só me resta, vão! Garanto-vos, vão querer voltar!
E como um ano pode ser demasiado tempo, a organização resolveu criar um evento preparatório a que chamou Warm-Up Paredes de Coura. Um cartaz atractivo e preços bastante acessíveis fizeram esgotar uma sala/tenda que, ainda assim, tinha capacidade para mais umas centenas de pessoas, bem no centro da cidade do Porto. E nunca a expressão aquecimento encaixou tão bem, porque foi disso mesmo que se tratou, um aquecimento. Sempre numa toada morna, sem grandes excitações, ouve, contudo, momentos em que cheirou a festival, no moche com os No Age ou no baile em que se tornou o concerto de Omar Souleyman, mas ficou sempre a sensação de faltar algo. É certo que ainda estamos em Abril e que a Praça D. João I não é o anfiteatro natural de Paredes de Coura, mas ainda assim, o público demorou a entrar no espírito. Mas cumpriu o propósito, sem dúvida. Agora resta-nos aguardar por Agosto.
Os Capitão Fausto deram início às festividades, para logo de seguida os britânicos Veronica Falls, trazerem a palco o relato adolescente das ansiedades e dilemas quotidianos ao som de guitarras alegres e jogos de vozes cúmplices. São músicas que nos fazem esboçar um sorriso e esquecer por instantes as preocupações. Na bagagem, o mais recente álbum, “Waiting For Something To Happen”. Os senhores que se seguiram, e senhores aqui é a palavra certa, os anos que levam nestas andanças dá-lhes esse estatuto, foram os The Wedding Present, a fazer reviver o indie rock da década de 90.
Coube aos Everything Everything animar as hostes, até então meio adormecidas. Com um ritmo frenético e um uso, por vezes excessivo, do falsete, foram capazes de por o publico a mexer. O mote foi dado pelo contagiante ‘Cough Cough’, single de apresentação do mais recente “Arc”. A receita não é nova mas é eficaz, pop electrónica temperada por ritmos fortes. Voltam daqui a poucos meses para repetir a dose, mas agora no idílico cenário da praia fluvial do Tabuão.
A terminar o primeiro dia de Warm-Up, os No Age, que ainda há 2 anos em Paredes de Coura, deram um dos melhores concertos do festival. Com esse concerto ainda na memória, iam quase deitando tudo a perder com um início marcado por altos e baixos. Prejudicados pela qualidade do som e pela insistência em músicas novas tocadas num formato que não lhes é natural (o formato guitarra e bateria é bem mais eficaz e explosivo), só aos primeiros acordes de ‘Fever Dreaming’ conseguiram agarrar o público e daí para a frente foi sempre a partir loiça!
No segundo e último dia, as guitarras não foram tão dominantes, permitindo às sonoridades mais electrónicas ter os seus momentos de glória. Coube aos portugueses Sensible Soccer as honras de abertura, que através das electrónicas instrumentais abriram caminho às angelicais Stealing Sheep, que, vindas de Liverpool, foram capazes de suscitar a curiosidade de muitos dos presentes com as suas melodias fantasiosas, aqui e ali fazerem lembrar as Coco Rosie.
Os Linda Martini dispensam apresentações e gozam, por estes dias, de um estatuto que têm vindo a consolidar ao longo dos últimos anos, graças não só à qualidade da sua música, como também, a actuações plenas de intensidade. A empatia com o público é enorme e temas como ‘Amor Combate’, ‘Dá-me a Tua Melhor Faca’ ou ‘Mulher a Dias’ foram cantados a uma só voz, numa união perfeita. Qual cereja no topo do bolo, ainda houve direito a música nova, que fará parte do alinhamento do álbum a editar no final do ano.
De seguida, de Portugal viajámos até à Síria, qual tenda montada no meio do deserto, transformada em salão de baile de casamento. Omar Souleyman, fenómeno surgido da World Music, com uma discografia oficiosa de mais de 500 álbuns, é conhecido por ter começado nestas lides a actuar em casamentos. Em palco apenas dois órgãos e a figura peculiar de Omar são suficientes para fazer a festa que usa e abusa da música de dança ocidental e das tradições árabes como condimentos principais. O caricato trata do resto!
Lee Ranaldo trouxe as guitarras de volta ao palco. Depois da passagem pelo Primavera Sound, voltou ao Porto mais uma vez para apresentar “Between the Times and the Tides”. Apesar de concentrado a 100% na sua Lee Renaldo Band, os Sonic Youth são presença constante, embora as músicas revelem um lado menos sónico. Não sendo uma alternativa à falta de novidades sobre os Sonic Youth, serve para matar o desejo.
No vai e vem constante entre guitarras e electrónicas, coube a Matias Aguayo, num misto de DJ set e live encerrar os dois dias de preparação para o que todos esperam seja uma grande edição do Festival Paredes de Coura. Só faltam 4 meses e passam num instante!
Depois da estreia auspiciosa a solo, Eleanor Friedberger prepara-se para lançar o sucessor de "Last Summer". Chama-se "Personal Record" e tem data de edição 4 de Junho.
Em jeito de teaser, foi-nos dado a conhecer este vídeo no site oficial onde também possível fazer o download de "Stare at The Sun", o primeiro single.
Os Parquet Courts são mais uma banda de Brooklyn a dar cartas. O ano passado lançaram "Light Up Gold", o álbum de estreia e, já este ano, foram uma das bandas revelações da última edição do South by Southwest. Com uma sonoridade que se pode classificar de punk rock revelam, no entanto, um lado mais polido que os aproxima do indie rock, onde se destaca o caracter revivalista das composições. "Borrowed Time", perfila-se como uma das melhores e mais viciantes músicas de 2013. Parquet Courts
"Borrowed Time"
A ansiedade vai sendo difícil de disfarçar, o que aumenta ainda mais as expectativas, já de si, muito elevadas. Aproxima-se uma das mais importantes datas do ano musical, o lançamento do novo álbum dos Queens Of The Stone Age, "Like Clockwork". Desde o anterior "Era Vulgaris" passaram quase 6 anos, o que é manifestamente tempo a mais. E nem mesmo a aventura Them Crooked Vultures foi suficiente para saciar o desejo. Para já, chega-nos "My God Is The Sun", e oh Deus, como é bom! Está tudo lá, tudo aquilo a que os QOTSA nos habituaram, as guitarras, uma linha de baixo viciante, uma secção ritmica irrepreensível. Não era fácil, mas "My God Is The Sun" conseguiu colocar as expectativas ainda mais lá em cima. QOTSA
"My God Is The Sun"