"Old Love / New Love", o novo single de Twin Shadow, surge no seguimento do lançamento mundial do jogo Grand Theft Auto V. Para participar na banda sonora do mesmo foram convidados uma série de artistas onde se incluem, entre outros, os Wavves e os Flying Lotus. Quanto a "Old Love / New Love", é um tema que claramente aponta às pistas de dança, ainda mais dance-pop do que nos tem habituado.
Twin Shadow - "Old Love / New Love"
Mark Lanegan, vocalista dos extintos Screaming Trees e colaborador habitual dos Queens Of The Stone Age, é dono de uma vasta carreira que tem como mais recente episódio "Imitations", um álbum de covers que conta com versões de temas de Nick Cave and the Bad Seeds ou Frank Sinatra. É nele que também encontramos a magnífica versão de um tema já de si magnífico, "Flatlands", original de Chelsea Wolfe.
Mark Lanegan - "Flatlands"
Chelsea Wolfe - "Flatlands" (começa aos 45 segundos)
Formados em 2011, os TRAAMS são uma banda britânica que acaba de lançar o seu álbum de estreia, "Grin". As guitarras são a sua imagem de marca. Comparados aos americanos Parquet Courts, os TRAAM são a resposta vinda deste lado do oceano ao chamamento rock and roll que comanda o mundo.
TRAAMS - "Flowers"
Alela Diane - "About Farewell"
Franz Ferdinand - "Evil Eye"
Realizador: Diane Martel
Depois de "Bagboy", os Pixies continuam a alimentar-nos com novas músicas. Chega-nos agora um novo EP com 4 músicas,"Andro Queen", "Another Toe in the Ocean", "Indie Cindy" (videoclip abaixo) e "What Goes Boom". E não esquecer que dia 9 de Novembro tocam no Coliseu dos Recreios.
Pixies - "Indie Cindy"
Músicas que ficam instantaneamente no ouvido!
Arcade Fire - "Reflektor"
Eleanor Friedberger - "When I Knew"
2013 continua a trazer-nos novidades em catadupa. Agora foi a vez dos Arcade Fire. As notícias mais recentes eram de que estavam a trabalhar num novo álbum e chega-nos agora um novo tema com produção de James Murphy e participação vocal de David Bowie. Chama-se "Reflektor" e pode ser ouvido aqui. O álbum (com o mesmo nome) sai a 29 de Outubro. Promete!
Reflektor Trailer
O último dia começou da melhor forma com um concerto pleno de energia e irreverência. Os Palma Violets foram responsáveis por um dos concertos mais divertidos de todo o festival. Depois de em 2012 se fazerem notar com o single "Best of Friends", ‘180’ o álbum lançado este ano, veio confirmar os britânicos como uma das boas surpresas de 2013. O concerto começou com "California Sun", música celebrizada pelos The Rivieras, o conhecido “Sol da Caparica” dos Peste&Sida, que logo conquistou o muito público presente àquela hora. Depois foi um desenrolar de temas punk á la The Clash e Ramones, a apelarem ao moche e ao crowd surf. Um baixista possuído, contrapondo com a postura cool do vocalista, e um baterista trepador, foram os anfitriões de um final de tarde de Verão perfeito.
Os Calexico trouxeram a sonoridade do deserto norte-americano até Paredes de Coura. A banda de Joey Burns levou-nos numa viagem que percorreu os caminhos do rock americano, passando pelo mariachi mexicano e pelos ritmos da salsa. Mas não havia tempo a perder, no palco secundário estava a começar um dos concertos mais aguardados por este que vos escreve, os Bass Drum Of Death.
O duo americano é uma das bandas mais subvalorizadas da actualidade. Com dois excelentes álbuns editados, o rock vertiginoso debitado com muitos decibéis à mistura, a fazer lembrar aqui e ali uns Nirvana mais polidos, torna os Bass Drum Of Death uma banda a seguir com atenção. Temas como “GB City” ou “Get Found” possuem alguns dos riffs mais viciantes da actualidade.
Os Belle And Sebastian já andam nestas andanças há alguns anos e são uma das bandas mais queridas em Portugal. Stuart Murdoch é um excelente mestre-de-cerimónias. Sempre de sorriso nos lábios, deu as boas vindas a todo os presentes num português bastante aceitável. Acompanhados por uma secção de cordas inteiramente portuguesa, os muitos membros em palco não se cansaram de sorrir para o público, passando uma boa energia que teve o seu culminar numa invasão de palco com todos (Palma Violets incluídos) a dançar alegremente ao som de “Simple Things”, Boy With Arab Strap” e “Legal Man”. As músicas, essas falam por si, de uma alegria contagiante, são deliciosas pela leveza com que vão crescendo dentro de nós. Um momento único de comunhão, onde todos os elementos (banda, público e local) se alinharam na perfeição.
Para fim de festa, os franceses Justice em modo DJ set (como se eles tivessem outro). Depois de um concerto no Alive que desiludiu, acabaram por ser uma agradável surpresa e contribuíram para um fim de festa em beleza. Muita intensidade suportada por um hipnótico jogo de luzes deixou o muito público ao rubro. Pelo meio ouviram-se temas dos Metronomy, Marvin Gaye, Joan Jett, George Michael e "Don't Stop Me Now", dos Queen para uma despedida apoteótica.
Paredes de Coura é Paredes de Coura! É um festival único e cada edição é irrepetível e especial. Para o ano, cá estaremos!
Texto publicado na Revista Magnética.
Foto © Hugo Lima
O quarto dia ficou marcado por actuações menos convincentes e que fizeram deste o dia mais fraco de todo o festival. A noite até começou bem, com os dinamarqueses Iceage, fenómeno da actualidade punk, a darem um concerto pleno de revolta imberbe. Com dois álbuns muito bons, ‘New Brigade’ e o mais recente ‘You’re Nothing’ (editado pela Matador Records), as músicas foram recebidas por um público ávido de confronto físico (no bom sentido) que durante quase uma hora levou a prática do moche aos limites do razoável. Os Iceage são uns miúdos. Apesar de a posse ambicionar a mais, a fisionomia não engana. O cliché dos putos deprimidos que passam horas fechados no quarto a ouvir música em altos berros, revoltados contra a tudo e contra todos, até lhes assenta bem. As músicas são gritadas até à exaustão, como que a quererem fazer-se ouvir ao mundo. Pode ser isso mas também podem ser só um grupo de miúdos precoces a fazer música do caraças! “You’re Blessed” e “Ecstasy” a terminar foram absolutamente demolidoras.
Seguiram-se os The Horrors. A banda britânica tem vindo ao longo dos anos a construir uma carreira de reconhecido valor, confirmado a cada álbum. A sua discografia tem sido reflexo de uma evolução sonora que tem o seu mais recente episódio em ‘Skying’. Se é verdade que essa evolução se tem reflectido num acréscimo de qualidade em termos de composição e produção, a banda tem vindo a perder alguma da imprevisibilidade e crueza rock que definia “Strange House”, o primeiro álbum. Os sintetizadores ganharam preponderância sobre os demais instrumentos, tornando as músicas mais estratosféricas e menos acutilantes. Com isso perderam também algum fulgor ao vivo. Se tecnicamente são irrepreensíveis, falta-lhes alguma intensidade na transposição dos temas em palco, são demasiado contidos. Contudo, não deixou de ser um bom concerto.
Aos Echo & The Bunnymen coube a inglória tarefa de substituir os The Kills. E embora a alteração fosse conhecida há já algum tempo, revelou-se um erro de casting. A banda liderada por Ian McCulloch (sempre de óculos escuros) teve o seu auge nas décadas de 80 e 90 e surgiu em Coura completamente desfasada. Um público demasiado jovem para conhecer a obra dos Echo & The Bunnymen não foi capaz de se mostrar interessado pelo que se passava em palco. Sejamos justos, a banda também pouco fez por conquistar a atenção. Nem temas como “Killing Moon” ou “Lips Like Sugar” foram capazes de animar as hostes. Os momentos altos, por estranho que pareça, pertenceram a versões de outras bandas, com “Roadhouse Blues” dos The Doors e “Take a Walk On The Wild Side” de Lou Reed. Um concerto demasiado morno para o que se exigia. E se na noite anterior tínhamos sido tomados pela surpresa, nesta noite foi a letargia a tomar conta de nós.
Para finalizar a noite, os Simian Mobile Disco pouco vieram acrescentar e foram incapazes de alterar o estado de apatia generalizado. Apesar das electrónicas apelarem à dança massiva, foi um público amorfo que se arrastou em frente do palco ao som da batida.
Texto publicado na Revista Magnética.
Foto © Hugo Lima
Voltar a Paredes de Coura é como voltar a uma casa de onde nunca partimos, onde somos bem recebidos, onde nos sentimos em família, onde sabemos que a desilusão nunca nos atingirá. E os anos passam sem que se sinta o seu peso. O espírito, esse mantém-se jovem e a cada edição rejuvenescido. Num inquérito rápido pelos festivaleiros espalhados pelas margens do rio, a resposta à pergunta se pensam voltar para o ano é unânime e esclarecedora, “Claro que sim, cá estarei!”. É este o sentimento que o festival nos cria, a vontade de voltar com a certeza de que nos receberá sempre de braços abertos.
Na sua 21ª edição, o Festival Vodafone Paredes de Coura prolongou-se por 5 dias, cabendo aos primeiros dois a função de ir aquecendo os ânimos dos muitos festivaleiros instalados no campismo desde há vários dias. E assim foi, um primeiro dia exclusivamente feito de bandas portuguesas e que se seguiu outro com alguns nomes fortes como os Unknown Mortal Orchestra, os Alabama Shakes e, a surpresa vinda de África, Bombino. Com o acesso ao palco principal ainda interdito, a imagem ao entrar no recinto era esplendida, com o palco iluminando o anfiteatro ainda despido de público.
Os Alabama Shakes foram recebidos por um público entusiasta a demonstrar que são uma das bandas mais acarinhadas do momento. Mas a grande surpresa do dia veio do deserto. Bombino, que recentemente lançou o álbum ‘Nomad’, produzido por Dan Auberbach dos The Black Keys, trouxe-nos um género de rock diferente do que estamos habituados, mas com todos os ingredientes necessários. As músicas são uma interminável enxurrada de ritmo frenético acompanhado de solos de guitarra que nos guiam o corpo. Surpreendentemente, rico melodicamente.
O primeiro dia a sério do festival contava com os muito aguardados The Knife como cabeças de cartaz. Mas até lá os motivos de interesse eram vários, a começar pelos australianos Jagwar Ma, que na sua estreia em Portugal vieram apresentar o aclamado álbum ‘Howlin’. Muita gente espalhada pelo anfiteatro ia aproveitando os últimos raios de sol enquanto conversava e ia dando um olho ao que se passava em palco. Os ritmos tropicais rapidamente se deixaram ultrapassar pelas electrónicas mais pesadas transformando o concerto numa verdadeira sunset party.
Entretanto, no palco secundário começavam a ouvir-se os primeiros acordes do concerto de Toy, o que levou muitos a tomar essa direcção.
Numa escuridão quase total, a banda britânica presenteou-nos com as suas guitarras hipnóticas que não foram capazes de cativar o público. O álbum de estreia foi o pretexto para quase uma hora de monotonia e soturnidade shoegaze.
Logo de seguida, os Vaccines, que depois do que assistimos, foram uma autêntica lufada de ar fresco. A mesma postura british mas a léguas de distância no que há simpatia diz respeito. Os Vaccines surgem na onda pós The Libertines ou dos posteriores Babyshambles. É rock juvenil, descomprometido, feito de letras pueris e refrões que rapidamente ficam no ouvido, como prova “Post Break-Up Sex”, cantado com o público a uma só voz.
Ainda antes dos Hot Chip, uma passagem rápida pelo concerto de Little Boots. Muita animação e energia. Levezinho como a brisa que se começava a sentir com o aproximar da noite.
Os Hot Chip dispensam apresentações e só os mais distraídos não sabem com o que contar num concerto dos britânicos. É festa e boa disposição garantida! São das bandas que melhor passam para o público o quanto se divertem em palco. Divertem-se e têm enorme gosto naquilo que fazem, e isso transparece. São sobretudo uma máquina muito bem oleada ao vivo, aliado a um conjunto de singles irresistíveis. São êxitos em catadupa, “Over and Over”, “Night and Day” e claro, “Ready for the Floor”. Nunca desiludem.
Finalmente os The Knife. As expectativas eram enormes para a estreia do duo sueco em Portugal. E a verdade é que, a bem ou mal, não defraudaram ninguém. Já muito se falou do concerto, houve quem amasse e quem odiasse. O sentimento geral após o concerto era, sobretudo, de estupefacção. Diferente, acho que é a descrição que melhor assenta ao que se passou em palco.
Os irmãos Karin e Olof Dreijer são conhecidos pela cuidada estética e conceito em torno da banda. Até 2006 nunca tinham dado um concerto e, de lá para cá, as aparições ao vivo são esporádicas e obedecem a um rigoroso conjunto de especificações. O concerto começou com uma introdução a cargo de uma personagem, que como alguém dizia a meu lado parecia o António Variações. Foram 15 minutos de “aeróbica de protesto” em que, sozinho em palco e ao som de The Rapture, Goldfrapp, entre outros, pôs o público a mexer-se e a gritar em plenos pulmões. Se a ansiedade já era muita, depois deste momento peculiar, foi elevada ao histerismo.
Chamar concerto à hora e meia que se seguiu é no mínimo pouco verosímil. Mais do que um concerto foi um espectáculo que vai muito para além dos estereótipos instituídos. Podemos chamar-lhe performance, happening, mas foi acima de tudo uma experiência sensorial. Uma série de instrumentos espaciais compõem a cenografia. Oito vultos de sexo indefinido surgem por entre o fumo. A música começa e depressa se percebe que tudo não passa de uma encenação e o som que vem de palco não passa de uma gravação. Os pseudo instrumentos rapidamente são postos de lado e os músicos transformam-se em bailarinos. Daí para a frente as coreografias sucedem-se, o som torna-se secundário e é o estímulo visual que assume destaque. Uma espécie de tribalismo futurista toma conta do palco deixando todos atónitos.
Se defraudou as expectativas, é complicado dizê-lo. Há que louvar a originalidade e o esforço em romper com o conceito tradicional de concerto. A criticar, temos de criticar o excesso da “actuação”. Ao fim de um tempo, o factor-surpresa esgotou-se e tornou-se algo maçador.
Texto publicado na Revista Magnética.
Foto © Hugo Lima
Placebo
"Too Many Friends"
Realizador: Saman Kesh
O novo projecto de João Vieira dos X-Wife, também conhecido por DJ Kitten, chama-se White Haus e pode-se definir como um encontro entre os The Rapture e os Chk Chk Chk.
White Haus
"How I Feel"
Já aqui falamos dele, na altura sob o o nome de Zoo Kid, entretanto mudado para King Krule. Depois de uma série de singles prometedores e desde logo reveladores de um compositor e de uma voz prodigiosa. Após uma primeira audição, ninguém diz que Archy Marshall tem apenas 18 anos. A voz é de uma gravidade e de uma profundidade que só a passagem do tempo consegue moldar. Chega-nos finalmente o tão ansiado álbum de estreia "6 Feet Beneath the Moon". "Easy Easy" é o primeiro single e coloca desde logo a fasquia bem elevada, uma das melhores músicas de 2013.
King Krule
"Easy Easy"
Os MGMT preparam-se para editar um novo álbum. Chama-se MGMT e "Your Life Is A Lie" é o primeiro avanço, um single que não é tão cativante como se poderia esperar. Mas vamos aguardar pelo álbum para tirar a teima. Tem edição prevista para Setembro.
MGMT
"Your Life Is A Lie"
Erlend Øye
"La Prima Estate"
These New Puritans
"Organ Eternal"
Realizador: Willy Vanderperre