Vindos de Espanha, os Crystal Fighters são na verdade, uma misturada de gente, dois ingleses, um norte-americano e duas bascas. Utilizam a voz, sintetizadores e instrumentos tradicionais bascos (Txalaparta), numa conjugação que lhes confere uma sonoridade muito própria. Assim como os Buraka pegaram no Kuduro para o reinventar, estes senhores inspiraram-se no folk basco e seu no cancioneiro tradicional para baralhar e voltar a dar. Têm apenas dois singles editados pela Kitsune, estando previsto o lançamento do álbum para Setembro.
A referência de hoje vai para uma música de Tina & Ike Turner, "Proud Mary", mas sobretudo, para o video da actuação ao vivo desse tema. Esta senhora mete a Beyoncé a um canto (não desfazendo, que também há que dar mérito à moça). O sentimento, a energia, a elegância, as "pernas". Comprovem vocês mesmos. Toda a actuação é um crescendo de intensidade até ao clímax que é ver aquelas pernas, do topo de uns saltos agulha, ganharem vida própria. Recomendo que vejam com especial atenção os 60 segundos que decorrem entre o 5º e o 6º minuto.
Para o final da semana deixámos uma promessa nacional. Verão Azul, assim se chamam, são a Ana e o Pedro e apresentam-se como algo parecido ao "namoro entre uma rapariga e um rapaz do Colégio". Na primavera de 2010 lançaram 4 temas em formato EP, editado pela Amor Fúria. Não têm ainda qualquer vídeo disponível, pelo que a audição dos seus temas só é possível de ser feita através do myspace. Destaque para "O Nosso Tempo", que utiliza um sample de "My Conversation" dos Slim Smith & The Uniques, uma "saltitante" música de verão.
Este mês vou dar-vos não uma, mas duas covers. Em forma de homenagem ao SBSR, por onde andámos aos saltos e a levantar pó no passado fds :)
A primeira é uma música dos Hot Chip em versão Grizzly Bear, que como podem imaginar, nunca poderia correr mal:
Grizzly Bear > covers > Hot Chip
"Boy From School"
A segunda é uma das minhas músicas favoritas de Prince, pela qual esperei ansiosamente até final do concerto, mas que ele não tocou. Deixo-vos com uma versão mais melancólica, da música que me deixou fascinada pelo Prince, tinha eu apenas 6 anos de idade...
The Twilight Singers > covers > Prince
"When Doves Cry"
Kieren Dickins, conhecido no mundo da música por DELS, é um jovem MC londrino que se move entre sonoridades hip-hop com queda para a electrónica, o que resulta num estilo muito próprio e interessante. Tem apenas um single editado, "Shapeshift", produzido por Joe Goddard dos Hot Chip, aqui fica.
Passada a primeira remessa de festivais, aqui fica um rescaldo, em formato top 5, do festival Super Bock Super Rock e daqueles que foram, na minha opinião (e dos que tive oportunidade de ver), os melhores concertos do fim de semana:
1. Prince
2. Hot Chip (não tivesse havido um Prince em excelente forma e teriam sido sem dúvida o melhor concerto do festival, não deixam, no entanto, de ter sido uma óptima surpresa)
* A qualidade do vídeo não faz jus à actuação, sobretudo o som.
Regressamos hoje a terras do Tio Sam, para apresentar os Grouplove. São de Los Angeles, embora os seus membros apresentem diferentes proveniências. Lançaram recentemente um EP homónimo, à venda na loja do iTunes. A título de curiosidade, a pintura presente na capa do disco é da autoria Hanna Hoper, o elemento feminino da banda. Vale a pena uma visita ao seu site para conhecer o seu trabalho.
Os Beau and the Arrows são um duo londrino formados por Beau Carter e Jasmine Keti-buah Foley. Com uma sonoridade, por vezes, próxima de uns The XX, lançaram no ano passado o EP, "Bright Lights, Big City", estando prevista para o fim de 2010, a edição do álbum de estreia. Aqui fica o sinfle "Fix".
Iniciamos hoje aqui uma nova rubrica que visa dar a conhecer bandas que, quer pelo seu curto tempo de vida, quer pela pouca visibilidade obtida, ainda não têm qualquer álbum editado mas às quais é possível desde já augurar um futuro risonho. Algumas delas já foram aqui referidas no blog, Veronica Falls, Crocodiles, Beak>, King Charles, entre outros. Durante a semana iremos apresentar alguns nomes que começam a despontar no actual panorama musical. Hoje damos-vos a conhecer os Magic Wands
Os Magic Wands são um duo norte-americano de Nashville. Formados em 2007 por Chris Valentine (guitarra) e Dexy Valentine (vozes), contam com um EP de 2009, intitulado "Magic Love & Dreams". "Alohaa Moon" é o título do álbum a editar brevemente.
A convite da Converse, e no âmbito do projecto Three Artists. One Song, Kid Cudi, Rostam Batmaglij (Vampire Weekend) e Bethany Cosentino (Best Coast) juntaram-se na composição da música "All Summer". Aqui fica o videoclip.
No cumprimento da promessa/ambição de todos os anos lançar pelo menos 2 álbuns, um álbum de Inverno e um álbum de Verão, eis que nos chega "Há Festa na Moradia", o novo álbum (de Verão) de B Fachada.
São 7 novos temas, que B Fachada literalmente nos oferece, como se não fosse já suficiente a qualidade musical com que é costume presentear-nos. Podem fazer o download gratuito aqui.
Não obstante da existência de alguns focos de distracção no vídeo que se segue, vamos tentar concentrar-nos na música. "Tiger" é o nome da música de Maximum Ballon, novo projecto a solo de David Sitek dos TV On The Radio. Conta com a participação de Aku dos Dragons of Zynth e, é para já, a única que se conhece. Outra informação relevante do ponto de vista musical, é que a menina que nos surge neste vídeo, de seu nome Daisy Lowe, é nada mais, nada menos que a filha de Gavin Rosdale, vocalista dos Bush e marido de Gwen Stefani (caso estejam a perguntar-se, não, não é ela a mãe).
O novo álbum dos Klaxons, um dos mais aguardados segundos álbuns, tem sido fértil em peripécias. Depois dos rumores de que a editora teria recusado as primeiras gravações do álbum, "Surfing The Void", assim se chama, tem finalmente data de edição, dia 23 de Agosto. Ainda antes da edição do álbum, no dia 30 de Julho os Klaxons passam por Portugal, pelo Festival de Paredes de Coura. O single de apresentação chama-se "Echoes" e pode ser escutado aqui:
No passado dia 5 de Junho, uma das mais belas salas de Lisboa, a Sociedade de Geografia de Lisboa, local de confluência das mais diversas culturas, foi ponto de encontro da cultura indie. Reunida para testemunhar o encontro de dois americanos, Bonnie "Prince" Billy e Emmett Kelly com uma norueguesa, Susanna Wallumrød, vocalista de Susanna and The Magical Orchestra. O pretexto, a apresentação do mais recente álbum de Will Oldham (que desde há mais de 10 anos se apresenta como Bonnie "Prince" Billy), "The Wonder Show of the World", gravado em conjunto com os Cairo Gang.
A primeira parte do concerto ficou a cargo de Susanna, numa espécie de interlúdio, a solo e ao piano, que no seu tom delico-doce mais contribuiu para o adormecimento dos presentes, do que aquecimento ao que se seguiria. Susanna, que segundo Bonnie, foi-lhe dada a conhecer por um amigo, dono de uma loja de discos em Lisboa, a "Ananana". Com a subida a palco de Emmett Kelly e Bonnie "Prince" Billy, excêntrico como só ele sabe ser, de calças laranjas, camisa azul e munido da sua melódica, a tensão aumenta. A sua teatralidade, a sua posse provocadora, o constante diálogo com o público não deixa ninguém indiferente. Ao piano de Susanna, junta-se agora a guitarra de Emmet. Mantém-se a toada acústica, pontuada aqui e ali por momentos de explosão. Sobressaí o jogo de vozes entre os três, a de Bonnie sempre presente, acompanhada ora por Susanna, ora por Emmett, ora por ambos. Deste jogo constante, resulta um ambiente mais próximo do country e da tradição do cancioneiro norte-americano, de que Bonnie é um dos principais herdeiros.
Antes da saída para o encore, uma versão de "Without You", tema celebrizado por Mariah Carey, que, se num primeiro momento poderia parecer deslocado do contexto e por isso caricato, não o foi. Esta é uma canção, onde a dor da perda e a morte, temas tão familiares ao universo de Bonnie, estão tão presentes. Original de 1970, da banda britânica Badfinger, tragicamente marcada pelo suicídio de ambos os compositores, Pete Ham e Tom Evans.
No regresso, a amplificação é desligada, deixando as vozes ao relento. Bonnie, de copo na mão, deambula em torno do palco como que brincando com a acústica do espaço. Pára, encosta-se a um poste e ali fica a observar os companheiros em palco, enquanto lhes vai lançando palavras, até desaparecer por uma porta e não mais voltar. Um concerto condicente com o espaço, que foi capaz de criar cumplicidade, de se tornar íntimo com o público.
Na verdade, os sistemas auditivo e nervoso dos seres humanos estão refinadamente adaptados para a música.Quanto disto se deverá às características intrínsecas da música em si - aos seus complexos padrões sonoros entretecidos no tempo, à sua lógica, ao seu ímpeto, às suas inquebráveis consequências, aos seus ritmos e repetições insistentes, ao modo misterioso como corporiza emoção e "vontade" - e quanto se deverá a ressonâncias, sincronizações, oscilações, excitações mútuas especiais ou feedbacks no circuito neuronal altamente complexo que subjaz à percepção e repetição musicais, é algo que ainda não sabemos.
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