Que grande Filho da Mãe
Este filho da mãe em particular chama-se Rui Carvalho e pertenceu a bandas como I Had Plans e If Lucy Fell. Estreia-se agora a solo com o álbum "Palácio", editado pela Rastilho Records. Fiquem com o vídeo de "Encontrei os Teus Dentes".Novidades
É com um vídeo intitulado "Portamento", colocado no site da banda, que os The Drums lançam as primeiras pistas para aquele que se julga ser o seu próximo álbum. Da música, sobressaem os sintetizadores "à la Jean Michel Jarre". Dizemos nós que é só para despistar!Regresso ao Futuro
Os Silver Apples foram um duo nova-iorquino surgido nos finais da década de 60 que se destacaram pelas inovações introduzidas ao nível das electrónicas e que viriam a influenciar alguns movimentos musicais que se lhe seguiram como krautrock, bem como a música de dança mais underground. Caracterizam-se por uma sonoridade que se pode enquadrar dentro do rock, com uma clara tendência psicadélica e onde as electrónicas desempenham um papel fundamental. O álbum homónimo de 1967 sintetiza bem o seu som e demonstra o quão visionários foram na época. Músicas como "Oscillations" ou "Seagreen Serenades" são disso exemplo e uma referência para muitas bandas da actualidade, como por exemplo os Portishead, que utilizaram a estrutura rítmica de "Oscilations" como base para "We Carry On".Silver Apples
"Oscillations & Seagreen Serenades"
Portishead
"We Carry On"
Músicas que ficam no ouvido
Um dos mais interessantes projectos e uma das mais interessantes vozes da actualidade, os The Antlers acabam de editar o seu mais recente álbum "Burst Apart". Depois do fantástico "Hospice", trazem-nos um conjunto de canções pop distantes da melancolia e soturnidade do álbum anterior. Um álbum luminoso, a confirmar os The Antlers como uma banda a ter em atenção.The Antlers
"Every Night My Teeth Are Falling Out"
Novidades
Passados 4 anos desde o excelente álbum de estreia "For Emma, Forever Ago", voltamos a ter notícias de Justin Vernon, mais conhecido por Bon Iver. É já na próxima semana que é editado o tão aguardado segundo álbum, de seu nome "Bon Iver". "Calgary" é o tema de apresentação.Bon Iver
"Calgary"
Sufjan Stevens - Coliseu dos Recreios
Afinal o primeiro viajante espacial português não foi quem se julgava ser, foram, sim, todos aqueles que estiveram no passado dia 31 "a bordo" da nave do Coliseu dos Recreios. A nave, como o próprio lhe chamou, foi o cenário de uma verdadeira odisseia espacial que nos levou desde as origens do cosmos, com Sufjan Stevens ao comando das operações e sempre bem apoiado pela sua tripulação. Foi uma viagem de quase duas horas e meia sem percalços pelo caminho. Com uma máquina muito bem oleada deram um concerto espantoso, que fica desde já como um dos melhores do ano.Depois do mais recente álbum, THE AGE OF ADZ, ter assinalado uma viragem na sonoridade de Sufjan Stevens, que, como fez questão de explicar, aconteceu pela necessidade de experimentar, de encontrar novas soluções que passaram sobretudo pela exploração de novas tecnologias, mais viradas para as electrónicas em contra-ponto com a simplicidade e sobriedade da sonoridade mais folk que o caracterizava. Não pretendia simplesmente a experimentação pela experimentação, algo puramente conceptual, mas sim aplicá-lo a uma sonoridade pop. E foi numa fantástica viagem sob a forma de concerto que nos foram revelados os novos caminhos que marcam a música pop.
Uma das principais referências na nova abordagem foi Royal Robertson, ao qual dedicou o épico IMPOSSIBLE NOTHING. Artista americano, autoproclamado profeta, cujo imaginário serviu de influência ao universo criado e materializado nos fatos fluorescentes, nos adereços, nas coreografias, nas projecções e jogos de luzes. Com uma banda de onze elementos em palco, duas baterias que pareciam dois motores, uma secção de sopros a funcionar como um turbo. Duas bailarinas que, quais assistentes de bordo, iam dando, com as suas coreografias primitivas quase infantis, as indicações de segurança. Uma qualidade de som imaculada, explorando ao máximo a acústica da sala, é um espectáculo com pés e cabeça, muito bem idealizado e melhor concretizado, com as músicas a apresentarem novos arranjos e a ganharem uma dimensão extra-sensorial, um espectáculo hipnótico, pontilhado de sons qual via láctea por onde viajámos ao longo de duas horas.
Um dos momentos altos foi VESUVIUS a sugerir uma descida aos infernos. E mesmo antes do regresso para o encore, IMPOSSIBLE NOTHING, num final verdadeiramente apoteótico, com o som a ser levado aos limites transformando-se em ruído, a lembrar o lançamento de um vaivém e que pôs o Coliseu literalmente aos saltos. E se durante a primeira parte THE AGE OF ADZ foi a estrela maior, com o encore chegou o momento da aterragem e o regresso à terra, recordando os álbuns passados. Foi uma aterragem perfeita com o esperado anúncio da chegada a CHICAGO.
Beastie Boys - Hot Sauce Committee Part Two
Numa de regresso ao passado como quem vai só ali, recordamos este mês uns senhores do tempo em que não havia rádio. Ainda andava o senhor Marconi em experiências e já estes senhores faziam beats. Claro que estou a exagerar mas estes senhores já cá andam há tanto tempo que parece uma eternidade. São 30 anos de carreira e a contar! E nem o passar dos anos beliscou o cool que são. Os Beastie Boys são como aqueles amigos com quem estamos raramente, por vezes até nos esquecemos deles mas sabemos sempre que os reencontramos que é tempo bem passado. E como a idade é um posto, há que respeitar estes senhores pelos muitos anos que andam nestas andanças e por terem sempre mantido o nível altíssimo! Eu chamo-lhes senhores porque na verdade é o que são, já chegaram a uma idade que ganharam o direito a serem assim tratados mas não é por isso que deixam de fazer música perfeitamente ajustada aos tempos que correm.
HOT SAUCE COMMITTEE PART TWO é o 8º álbum de originais e depois da quase desilusão que foi THE MIX-UP de 2007, é bom confirmar que não perderam o toque. E como se não bastasse a música para os nossos ouvidos, oferecem-nos como cartão de boas-vindas uma fantástica curta-metragem intitulada FIGHT FOR YOUR RIGHT-REVISITED, onde a um ritmo alucinante conseguem enfiar um sem número de celebridades, desde as mais improváveis Susan Sarandon ou Ted Danson, aos comediantes Will Ferrel, Jack Black, entre outros. Até o Delorean, o carro do REGRESSO AO FUTURO, entra. Mas como não respeita-los!!! Respect! Respect ao quadrado! Infinitos de respect! As saudades das férias de Verão, das tardes perdidas em frente à televisão, a ver o vídeo de SABOTAGE que passava vezes e vezes sem conta na MTV.
Recordemo-nos que foram estes senhores que nos deram músicas como (YOU GOTTA) FIGHT FOR YOUR RIGHT (TO PARTY!), SABOTAGE ou INTERGALACTIC, que além de terem aproximado o hip-hop das massas, o tornaram num produto também acessível a brancos. A receita do sucesso foi a forma como foram capazes de fundir o rap com influências rock e punk. Lembrar que inicialmente os Beastie Boys surgiram como uma banda punk e foi essa capacidade de adaptação e transformação que tornou o seu som num produto único. E é impossível ouvir estas músicas, que já se transformaram em clássicos, e não sentir uma imediata vontade (To Party!). Do novo álbum MAKE SOME NOISE ficará concerteza com uma das melhores músicas do ano. Destaque também para a colaboração com Santigold em DON'T PLAY NO GAME THAT I CAN'T WIN.
Texto publicado na Revista Magnética de Junho.
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